Minha amiga tem câncer de mama, e agora?

08/10/2019 | Por Giovana Joris

Como oferecer suporte após o diagnóstico e durante o tratamento da doença

Por Anna Carolina Lementy | @lamparinaweb

Sororidade é uma das novas palavras do nosso vocabulário. Do latim, o prefixo “soror” remete à irmã, ou seja, uma mulher que amamos, cuidamos e da qual estamos próximas. Frente a um diagnóstico impactante como o de câncer de mama, como podemos ser amigas que fazem a diferença? Quais os limites entre apoiar e dar espaço? Como ser uma boa ouvinte?

Para a médica Júlia Ribeiro Lamardo, a amizade feminina tem um potencial protetor, o que torna os vínculos entre as mulheres importantes. “Em geral, o câncer de mama afeta a feminilidade para além da saúde. As mulheres passam a enfrentar questões relativas a se sentir bonitas ou não, à sexualidade. Ter uma amiga apoiando é muito potente”, afirma ela, que também é acompanhante terapêutica orientada pela ética da psicanálise e integrante da rede DIVAM (Debates Integrados pela Valorização e Atendimento das Mulheres).

Uma vez que existe o diagnóstico, o primeiro passo é colocar-se como uma amiga com a qual se pode contar. “Na sociedade atual, a necessidade é de ser escutada. A era da informação aproxima as pessoas, mas de maneira superficial. É preciso ter uma postura atenta, estar presente com o corpo. Nós escutamos além dos ouvidos, escutamos com presença física. Desse modo, é possível mostrar que nos importamos”, diz Júlia.

O câncer de mama aponta para um momento de vulnerabilidade e incerteza, e o diagnóstico pode paralisar. A médica acredita que, neste ponto, as amigas têm o papel de incentivar o tratamento, não deixar que aquele exame fique escondido no fundo da gaveta. “As chances de cura e de qualidade de vida no futuro são imensamente maiores quanto antes ela começar os procedimentos”, diz.

Dando espaço e cuidando ao mesmo tempo

Descobrir um câncer de mama tem impactos diferentes para cada mulher, pois cada uma é singular. Ou seja, não existe uma receita de bolo na hora de oferecer cuidado. Na visão da especialista, o mais importante é que a amiga com a doença possa se sentir confortável para falar sobre inseguranças – sem a sensação de julgamento. “Não será um processo fácil e leve para quem adoece e para quem está por perto. Existem momentos de ira, revolta, tristeza, dúvidas e falta de perspectiva em relação aos projetos de vida. Ter alguém para compartilhar essas angústias é fundamental. Mas estar disponível não significa estar sempre junto. É importante dar espaço quando necessário”.

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